Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

...

Sabado 8 de Dezembro foi um bom dia.

No Teatro Sá da Bandeira, em Santarém, fizemos, até agora, o nosso melhor concerto.

Pode ter sido pela sala, pelo publico, pelo passeio à tarde, por estarmos todos um bocadinho mais inspirados do que normal…

Há uma coisa que já disse e escrevi noutras ocasiões: acredito que nunca se toca uma musica duas vezes da mesma maneira, que é humanamente impossivel faze-lo e que é esse lado que mais me atrai neste trabalho. Dependemos da nossa parte sensivel, das nossas fraquezas, do que nos comove o suficiente para usarmos o que não sabemos que temos para usar.

Saí antes de almoço e só a breve viagem desde Lisboa num dia de sol de Inverno já deixa descansar.

A primeira paragem foi no Miradouro das Portas do Sol com vista para o rio onde se recebe o vento vindo do outro lado. Passei a ponte para ir almoçar calmamente a Almeirim (só tinha que estar no Teatro para fazer ensaio de som às 17). Uma optima picanha para quem às 15:00 ainda estava em jejum!

Almocei. Quando saí, era uma luz de domingo, aquela luz onde tudo se move mais devagar, no meio da paz, o dia ideal para, a caminho de Santarém, investir pela leziria dentro e ver um pôr do sol sentado na terra a ouvir classicos dos anos oitenta (aquelas baladas do Lionel Richie!!).

A terra em pousio e o carro estacionado na rua estreita, feita de terra nos lados e ervas no meio. Aqui passou rápido o tempo devagar e ao fim da tarde estava um frio que gelava a cara como quem acaba de acordar. Levantei-me, respirámos fundo e fiz marcha atrás na rua estreita demais para inversão de marcha.

Fui ter com a banda e a equipa ao Teatro, para ensaiar. Já não tocávamos juntos, a sério, desde que comecei a minha aventura sozinho pelas onze FNACs do país e sentia-se a crescer no ar um entusiasmo de que não se fala.

Fomos jantar… Nem bem, nem mal, e pagámos à parte a garrafa de vinho branco que não estava incluida no "Menu do pessoal da musica".

A sala estava esgotada enquanto o frio lá fora não dava tréguas.

Tentei aquecer mais ou menos os membros e a voz antes do concerto que começou à hora marcada.

Santarém foi até agora o nosso melhor concerto: não sei se tocámos bem ou mal, sei pelos aplausos que o público gostou, sei que do nosso lado sentimos tudo ao milimetro e que nos divertimos e que foi um concerto quase terapeutico para nós.

Se há concertos que fazem bem à saude e ao espirito, este foi um deles! Um concerto bem disposto (quanto baste) onde tudo vinha duma vontade geral de estarmos ali naquele momento. Cada um de nós, como em todos os concertos, é produto do que nos leva até aos momentos em que nos juntamos em palco à mesma hora.

Da minha parte, sei que sem o meu dia de sol de domingo no Ribatejo não tinha feito o meu papel da mesma meneira. Sem a paz acumulada na leziria com vista para a muralha, estaria mais vazio em palco.

Um dia inspidador para um concerto inspirador.

Muito obrigado pela simpatia e atenção de quem apareceu.

 

Tiago Bettencourt

publicado por Tiago Bettencourt às 11:59
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10 comentários:
De Tiago Mendes a 20 de Dezembro de 2007 às 17:46
Deve ter sido, realmente, um grande concerto. E é como dizes: o que acontece antes do concerto pode influenciá-lo!
Seria inspirador para qualquer um... ;)

Tiago Mendes
De Anónimo a 20 de Dezembro de 2007 às 18:04
Já há uma semana que se falava no concerto. Em tom de brincadeira lá disse que ía. Não porque não me agradasse, pelo contrário, tenho vindo a descobrir nesta banda muito mais do que estava à espera, mas pela preguiça que se vem acumulando no corpo de quem dá pela semana passar em reuniões, mails, telefonemas e afins, e chega ao fim da mesma a ansiar pelo sofá quentinho da sala, ou um pézinho de dança com os amigos...mas perto – de táxi! Nunca a 80 km de Lisboa.

Até àquele dia de manhã sempre soube que alguma coisa podia aparecer para me fazer mudar de ideias. Mas nada apareceu, por algum motivo será, e lá fui/fomos.

Entre um sol insistente e um frio demolidor, chegámos a Santarém. Dá-me sempre aquele orgulho recheado a nostalgia, e cobertura de alegria, de cada vez que percorro a linda cidade e relembro-me tão simples e descontraída, nos meus anos de miuda passados em Scalabis. (Scalabis = Santarém; Scalabitantes = habitantes de Santarém)

Chegados ao jardim da areia fininha, encontro as muralhas mais baixinhas, o lago mais vazio, o restaurante “mais” fechado e o “meu jardim” abandonado. Ao longe a lezíria, o rio, o caminho de ferro, a ponte... Foi, sem dúvida, mágico.

Mas tudo o que é sonho acaba cedo quando a mais básica necessidade chama por nós. A fome aperta e que melhor solução senão visitar o Mário Paulo e ao restaurante dele, e apresentá-lo ao chaval. Entre uma garfada na picanha, a conversa descomprometida, e o desvendar de segredos da minha pseudo-ribalta na adolescência já esquecida, o raio tímido de sol que entrava pela janela varreu qualquer réstia de vontade de ter ficado na capital naquele dia.

De barriga cheia, e ainda no parapeito da Mercearia Vencedora aqueço as bochechas e o nariz gelado ao sol, acendo um cigarro e rigozijo-me com as respostas ligeiras e irresponsáveis, tão naturais e descontraídas quanto a pessoa que ele é, à séria entrevistadora do outro lado do linha do telemóvel. Dismistifica-se o artista! Ahah!

Já na viagem de volta a Santarém, o fim do dia e a lezíria chamavam tão alto por nós que a curva à esquerda largando o asfalto já se vinha adivinhando, desde que a luz começou a murchar. A cura de campo e ar fresco, frio e cheiro a terra, sarou por momentos o peso dos pensamentos mais precipitados. Nem a banda sonora falhou.

Na maratona da chegada ao teatro Sá da Bandeira, da inesperada missa, do característico jantar em casa da Constança, e a pressa de não chegarmos atrasadas ao concerto, fui esquecendo o motivo da minha presença ali em SCALABIS.

Quando chegámos à sala do evento, a sala cheia, quente, e a silhueta das três figuras e dos instrumentos na projecção de fundo calou a conversa e a música envolveu os espaços vazios ainda por preencher no espírito.

A energia emanada do palco chegou a todos nós na plateia, e poucas foram as vezes em que senti um desviar próximo de olhos, deste carrocel de luzes, movimentos, música, harmonia, e vibração.

O Tiago não é bipolar, o seu conteúdo parece-me sempre o mesmo. A forma, por outro lado, altera-se no palco. Torna-se mais alto, mais forte e mais imponente. Mais apurado, que fora da ribalta. Mas fora dela não perde o mistério e a originalidade cravados no olhar. Aliás, crítico e sarcástico, é tão honesto quando a subtileza o permite, e a sua inteligência testa-se também no palco.

Depois do concerto, a descompressão, a troca de ideias, afogadas em dois ou três whiskys e um ou outro cigarro do riso, transformaram-se em cereja cristalizada e alguém a colocou naquele “Doce” de dia passado no Ribatejo.

Mas nem assim contentes, com a energia de quem ainda tem tanto pra dar, conhecer, viver, partilhar, vibrar, saltar, gozar, arriscar, atirou-nos para a rústica noite de Almeirim. E assim sim, esgotaram-se as forças. Mas não as sinergias...

Agora olho pra trás e vejo um belo dia, um grande concerto, uma grande banda e uma vontade enorme de repetir a experiência. Não acredito que se toque uma musica duas vezes da mesma maneira, mas acredito que a Disponilidade para a tocar da mesma forma, até faça com que o resultado se assemelhe...

Obrigada pela disponibilidade, chaval.

Chavala do jogo.
De A-de-Azul a 21 de Dezembro de 2007 às 14:02
Isto é uma delícia...
De Tigui a 22 de Dezembro de 2007 às 23:08
Um concerto magnífico, daqueles que reconfortam a alma. Três "gajos porreiros" que se divertem connosco.

Teria sido perfeito se não fossem as irritantes palmas constantes a meio das músicas.

[De um escalabitano]
De cristina a 23 de Dezembro de 2007 às 00:34
Que bela surpresa verificar que o blog renasceu! E que prazer comprovar que é quase tão bom ler-te quanto ouvir-te ;-). Num e noutro percebe-se a tua respiração.
Até breve
Cristina
De Helena a 26 de Dezembro de 2007 às 19:34
Tiago, parabéns pelo excelente album.
As músicas são fantásticas, sem qualqer excepção.

Showcase na Fnac do Gaiashopping foi do melhor. Soube a pouco, mas foi óptimo.

Um beijinho, Helena.
De Noa a 27 de Dezembro de 2007 às 03:30
Tiago,
vc sempre me surpreende. Sempre. Adorei tudo o que vi e ouvi até hoje e já tenho muitas saudades dos concertos. Epero que não demore muito a voltar aos palcos e apesar de Portugal ser um país pequeno e ser razoavelmente fácil pegar a estrada e ir até Sintra, ao Entroncamento ou a Santarém, às vezes o relógio está contra nós e nos impede de chegar a tempo aoss lugares, por isso não se esqueça do Norte, tá bem?
E não desista do blogue por que vc não imagina como é bom ler-te. Um beijo distante e saudoso, Andreia :O)
De CʘʘҜI3 a 2 de Janeiro de 2008 às 15:30
Estive no Sá da Bandeira e tinha lá ficado o resto da noite a ouvir-vos. Parecia que estava numa outra realidade. Muito intenso, como eu gosto.
Que tal um cd ao vivo?, é que o concerto tem uma força que o álbum não transmite.

Já agora, obrigado pelo autógrafo dado a uma amiga num guardanapo da FNAC, "para o hernâni e a sua bolacha" (sou eu a bolacha) :)

Vou continuar atenta,
Su
De Belinha a 3 de Janeiro de 2008 às 14:10
Olá.
Feliz Ano 2008, cheio de sucessos e inspirações.
Adorei saber que este concerto foi o teu melhor. Sou Scalabitana e fico muito feliz.
É gratificante saber que a nossa lezíria te inspira e provoca boas sensações.
Espero que voltes e que seja ainda melhor.
Bejinhos.
De Marina a 14 de Março de 2008 às 00:43
não é por ser a minha terra... mas de facto amo aquela vista da leziria... eu sou de almeirim, e estar do outro lado do rio a ver as lezirias é alimento para a alma....
Tenho pena de não ter estado nesse concerto...

Estou condenada a passar os meus dias por Aveiro nas maratonas de estudo....
Mas tive hoje no concerto em Aveiro.... e ainda não consegui desligar da musica!!!
Lindo, intimista, divertido, arrebatador...

Fico a aguradar pelo post do concerto de Aveiro... para saber o que acharam deste publico cá de cima...

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