Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Lisboa - Cinema S.Jorge

 
Finalmente o S. Jorge. Estávamos à espera deste dia desde que saímos da sala lá de baixo para ir gravar o álbum a Montreal.
A sala de cima por sua vez tem muita pinta.
O Ruizinho e a equipa da Dubvideo Connection tinham preparado para este concerto alguns pormenores diferentes, embora dentro do Espectáculo que temos vindo a apresentar pelo país.
Era a primeira vez que íamos apresentar este Espectáculo, sendo que no concerto do Casino de Lisboa a disposição e o conceito eram outros.
Já é costume nestas ocasiões mais formais arranjar uns convidados que nos proporcionem (a mim, à banda e ao publico) momentos especiais e eu estava já há uns tempos a querer fazer qualquer coisa com a Carminho Rebelo de Andrade: A Carminho é uma jovem fadista de 23 anos com um coração gigante e uma voz que trespassa qualquer um. Uso-a para me curar. Quando preciso descansar e não posso viajar fisicamente, vou ouvir a Carminho cantar o Fado. Ela tem um mistério qualquer que não consigo desvendar, não sei onde vai buscar bagagem para interpretar de maneira tão natural, ou sobrenatural, tudo o que canta. Não estou a exagerar. É mesmo isto que sinto e ela intimida-me enquanto Artista. Tal como o Camané me intimida... alguém já ouviu o novo disco? Um perfeito exemplo de como fazer as coisas bem, com gosto e humildade e respeito pela musica, pela poesia, pela arte. Que bom que era se todos os Artistas fossem assim, mas na sua maioria, não são, ou não estão, ou ainda não perceberam o porquê de existirem, ou as prioridades da sua missão. Se calhar esta conversa fica para outro dia...
Fiquei muito contente com o facto da Carminho ter aceite este desafio.
Ensaiamos “O Campo” e um Fado que gosto muito de a ouvir cantar, gravado antes pela Amália, chamado “Alfama”. Para este Fado fizemos um arranjo em banda muito leve e, a meu ver, respeitador da essência do Fado.
Do outro lado convidei o João Neto guitarrista dos oioai – para quem não faz ideia, este foi o primeiro guitarrista dos Toranja, foi ele que participou no primeiríssimo concerto que demos no Garage , o concerto que nos fez saltar para os olhos do mercado. O João é só por si um personagem diferente, rock dos pés à cabeça. Tudo o que o João é no
dia-a-dia, é-o a tocar guitarra. Honesto e com um gosto minimal quando tem que ser e desconstrutivista quando o ambiente pede. O João veio tocar o “Voo” e
o “Paint it Black” dos Rolling Stones que achámos a musica perfeita para terminar o concerto, antes do Encore.
Tínhamos voltado no dia anterior da Póvoa do Varzim por isso tivemos tempo para dormir. Encontrámos-nos por volta das 17.00h no Cinema S. Jorge para começar a
fazer som e ensaiar as ultimas vezes com os convidados.
Jantámos todos juntos.
Tivemos que atrasar um pouco o inicio do concerto porque chegou tudo em cima da hora e estava uma grande fila para levantar bilhetes.
Estávamos relativamente calmos mas ansiosos – estas esperas desnecessárias são meio stressantes.
Mal entrei na sala senti tudo:
Estava cheia de gente que queria ouvir, pessoas curiosas, publico para quem dá prazer tocar. Quando o resto da banda entrou olhámos uns para os outros como quem diz: “’bora lá então!”… E fomos.
Depois da “Noite Demais” fui buscar pela mão a Carminho, que estava sentada à minha frente. Cantámos "O Campo", seguida da parte deimproviso com o Maia à guitarra. Depois, tudo parou para ouvir a Carminho cantar o Fado. Foi dos momentos mais bonitos do concerto e quero voltar a repetir.
O publico estava bem disposto e nós, a tocar, também.
O João Neto entrou no “Voo” já de punho erguido e a distorção das guitarras rasgou a sala até ao fim do “Paint it Black”. Só me apetecia fazer mosh!
No Encore tocámos a "Musica de Filme", "O Lugar", "O Jardim" e "O Jogo"… E fomos embora sem tocar a “Carta”. Digo isto não por não gostar da musica, porque gosto e tenho a noção que grande parte das portas que se abriram foi graças ao tamanho que este tema atingiu. Mas poder provar que somos muito mais que isso, que a historia é outra, é
diferente, é muito mais interessante do que só uma musica, mostrar que essa musica é só um pequeno capitulo de um trabalho com sentido e fundamento, saber que quando nos fomos embora do palco pouca gente ou ninguém ficou com pena de não ter ouvido "A Carta". Estavam contentes.
O abraço do fim do concerto.
Apetecia-me ficar mais dias no S. Jorge, apresentar este Espectáculo como uma peça de teatro, vários dias seguidos, mostrar a mais gente este trabalho de maneira intimista e serena. Acho que fica sempre um certo vazio depois destes concertos mais emotivos. Passam rápido demais…
Obrigado Carminho e João Neto pela presença e cumplicidade.
Obrigado ao publico que nos ouviu.
Obrigado a toda a equipa pela dedicação e empenho.
João e Maia bora lá então!
Hoje um abraço a todos.
 
TB
publicado por Tiago Bettencourt às 18:19
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