Domingo, 10 de Maio de 2009

...


 

 


 

 

 

Nesta noite onde a serenidade se esconde por de trás dos móveis e a inquietação dança por toda a casa, as duas nesta noite, a trocarem no meu corpo de segundo a segundo. As duas ausentes, invisíveis e perfurantes. Pontuais altivas penetrantes. O mistério que me arranca do sitio, à conquista de qualquer coisa que já devia ter mas que não chega.

Tudo se repete:
A manhã perfeita de magia e impossíveis cumplicidades todas a formarem uma enorme espera de sabão quase tão real… O percurso a crescer até chorar de emoção descontrolada, as razões, as motivações, tudo verdade, tudo. verdade. Não existe ninguém melhor que nós, não existe ninguém melhor que eu que nem existo até ser noite devagar.
Agora que acordei, parece tudo tão ridículo.
Agora que adormeço, tudo é tão maior que o universo inteiro em coro.
Agora que acordei, não há ninguém melhor que eu e é tudo tão efémero como chuva de verão, aquela que deixa o ar limpo.
Agora que acordo não amo, não sinto, desprezo e desdigo, deixo para trás quem já não sabe ler os sinais acordados. Desprendo, ignoro, sigo já o rumo à frente, sereno.
Sabemos as razões, sabemos as verdades e as mil mentiras, mas não resistimos às duvidas como portas entreabertas. A parte fraca não fecha portas sozinha.

A parte forte gosta de espreitar…
Hoje que adormeço, tão cansado… nesta passagem infinitamente entreaberta, sobre o teu olhar solto, inquieto, longe, inerte, à espreita… se não me lês, se não me ouves,
não existo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Tiago Bettencourt às 22:48
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8 comentários:
De Toupeira a 11 de Maio de 2009 às 13:42
Quando a música se calar (esperemos que nunca) escreve um livro com estas palavras que merecem mais do que uma página perdida na rede.

Sempre um prazer ler-te e ouvir-te.
De eu só... a 11 de Maio de 2009 às 22:51
Já senti o mesmo e a necessidade de saber-me escrita, lida e buscada acabou com "a minha toca" passei a procurar fora de mim o que já aqui habitava...faz um turismo dentro de ti e verás que entre um acordar e outro adormecer há bolhas de sabão que se chamam sonhos e onde tu já aparecias antes de te saber chamar pelo nome! E é bom assim mesmo...gosto-te como sempre!
De cristina a 14 de Maio de 2009 às 13:23
um sopro... no coração :-)
De A. a 18 de Maio de 2009 às 02:43
[A porta fechada, se bem me lembro...
Tinha ficado aí,
a tinta riscada
passos e flores gastas
um plano que fechava o dia.
Depois o fim.
[Nada mais há para ver]
Espera-se uma frase
espera-se um comboio em dia útil
espera-se a funcionalidade das tardes vazias de palavras
e nada.
[E o fim não tem fundo]
a tal queda interminável para cima,
se é que me lembro.
(there's no time...)
Muito boa noite
o meu nome é
(to make sense)
e o posfácio de uma insónia
final
(to analyse)
Resta-me inventar
apenas.
Um céu de papel pardo
e uma certeza,
silenciosa
plúmbea
a cidade em trânsito nunca irá parar...

[tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac,...]]






...à espreita.fazendo por existires.

abraços

A.na
De Marta Matias a 20 de Maio de 2009 às 18:54
Se dependesse de nós que adoramos o vosso trabalho, com toda a certeza nunca deixariam de existir.
A música e a escrita estão para sempre inter-ligadas e isso nota-se neste espacinho tão delicioso!
Obrigada*
De P. a 8 de Agosto de 2009 às 09:21
Obigada por me arrancares um sorriso hoje. hoje que nada mais me faria sorrir. obrigada.
De Ines a 18 de Fevereiro de 2013 às 20:25
Nestas noites de angustia buscu-te. Pergunto-me quantas vezes sonhei que eramos mais fortes e mais íntimos. Pergunto por ti dentro de mim e encontro-te! Mas nao foi verdade foi um amor incerto so meu. Mas e o meu amor mais bonito. E teu. Um beijo
De Outro nome inventado a 22 de Fevereiro de 2013 às 23:44
Contigo aprendi a existir de forma solitária. Sonho leio e crio- nos momentos impossíveis. A sensação que tenho e que és mais real que as tuas palavras, assumes forma cor e luz em mim. A sensação que tenho e que andas por aqui a vaguear com o vento mas sou so eu fora de mim a reinventar-te. És muito mais que o sol. Um beijo

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