Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Fantasias

 

 

Foste bater à porta mais uma vez não foi? Tu só querias ver, mas principalmente querias ver-te a ser olhado. Não querias ser tu a chamar… mas há noites mais fracas…
A “outra parte” apareceu em tua casa com a força de sempre
de repente
e olhou para ti.
Tal foi a intensidade deste acontecimento, tal foi a maneira como recebeste esse abraço, a novidade da recordação explosiva, que sem falar perguntaste:


-- Já sabes para onde queres ir?

Ainda que não pelas tuas palavras, perguntaste,
ainda que não com estas palavras, a pergunta foi esta,
depois do tempo tentar esquecer tudo, a pergunta tinha que ser essa…
Como nos filmes, o silêncio do antes, a pausa. Sentiste a “outra parte” a tremer e a pôr mais uma vez tudo em causa,
tudo o que sempre existiu,
tudo o que sempre foi a verdade da outra parte,
tão solida como o chão.
A “outra parte” sussurra…
Continuas a ouvir a “outra parte” a perguntar se a tua mão é real,
se aconteceu mesmo a historia em que o mundo se desdobrou
e vos mostrou um jardim novo,
por outro lado,
na possibilidade de mudar.
Sentiste a “outra parte” mais uma vez cansada,
como já a sabias,
com sede de ti como tu também,
dela.
Sentiste a outra metade a tremer do fundo de onde vinha a voz, do lado longe, a chamar, vinha também a névoa, mas essa é feita de água como o que se escreve... disseste:
-- Afinal existimos mesmo.
Afinal lembras-te
Afinal sentes tudo,
Afinal ouves, ouviste mesmo
afinal tens medo de mim também.
E agora? Agora que sabemos disto outra vez?
Vais adormecer nessa espécie de pântano?
Nesse vapor?
Nesse disfarce?
Na fraca segurança da fraca certeza?
há muito que nunca te chega...
E agora?

Há coisas que não se adiam…

-- Já sabes onde vens?

…Deram as mãos e foram viajar para a Índia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Tiago Bettencourt às 01:01
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18 comentários:
De Cristina a 14 de Outubro de 2008 às 13:15
Tiago, que comoção... é incontornável felicitar-te: pelo Coliseu, por ser a solo e pela Aimee Mann.
O desenho das tuas peugadas vai ganhando uma forma admirável e supreendente - Pulsante!
Parabéns + felicidades + felicidades + felicidades...
De Manuela Araújo a 22 de Outubro de 2008 às 11:28

... não há criação artística sem "Fantasias"...


Boas Fantasias para Ti! :)





De Mônica Custódio a 23 de Outubro de 2008 às 06:29
Olá Tiago. Primeiro quero te parabenizar pelo blog. Descobri hoje, pesquisando sobre ti, e gostei tanto que já li quase todos os posts. Meu nome é Mônica, tenho 14 anos e sou de Santa Catarina, no sul do Brasil. Certamente, sou uma das tuas fãs mais novas na idade e no tempo que conheço teu trabalho, mas já te admiro muito, tanto as músicas com os Toranja quanto o teu trabalho solo, que, inclusive, não consigo parar de ouvir.
Tens muitos fãs no Brasil, não sei se tu utiliza o Orkut, mas lá tem uma comunidade com quase 1.500 membros dedicada aos Toranja e outras com dezenas de pessoas dedicada a ti, ambas compostas, na maioria, por brasileiros.
Não sei se lês esses comentários, muito menos se responde. Mas vou ficar muito feliz se tu ler, pelo menos vais saber da minha existência. Pena não poder assistir a um concerto teu, tu já passou pelo Brasil mas eu nem tinha ouvido falar de ti ainda nessa época.
Te desejo muito sucesso e felicidade, e quero que continues sempre fazendo músicas maravilhosas como as que tu já faz.
Beijos

Mônica
De Cristina Oliveira a 29 de Outubro de 2008 às 00:32
Estive no concerto da guarda, deste sábado… Deixei passar o tempo para que ganhasse alguma distância sobre aqueles momentos… Mesmo passados estes dias a sensação permanece.

Sensação de … encantamento. Foi uma viagem bela, intensa, inquietante ao ponto de não conseguir estar encostada na cadeira, que não me deixou chegar à cama nessa noite e adormecer sem que o desejo de mais, me deixasse. Sei que não vou conseguir traduzir nas palavras a dimensão daqueles minutos, sons imagens para mim, mas posso dizer que tenho vontade, muita de mais, que aqueles momentos continuam em mim e todas as músicas ganharam uma dimensão diferente em mim.

Gostei muitooo… do esforço que fizeste, sobretudo no início em comunicar, em quebrar o gelo (mesmo que não conseguisses olhar de frente o público), é sinal de dedicação.
De sentir que as musicas que preenchem os meus dias existem daquela forma, encantadora, não sei explicar a dimensão disto em mim.
No início não vos sentia como banda, como se estivessem demasiado longe, como se existissem uma espécie de barreiras que vos separavam… mas com o avançar do concerto senti que se aproximaram, que gozaram juntos, e isso foi bonito.
Do piano. Ver-vos aos dois.
Da guitarra vermelha é tão bonitinha.

Gostei menos… de não poder, (conseguir ter lata de) saltar lá para frente e dançar.
De não poder tirar fotos (foi muito chato, na realidade quero dizer horrível, ter aquela sra à perna…)
De não ouvir pó de arroz =[ , só mais tarde me apercebi, porque senão tinha pedido.
De que o publico, no seu conjunto, não fosse suficientemente… expansivo. Mas se querem um exemplo, eu fui com a minha prima que não conhecia muito da vossa música, contou-me que houve momentos em que estava boquiaberta, completamente absorvida! Creio que isso pode ter atingido muita gente, um encantamento que bloqueou.
Que não tivesse durado… mais! Eu sei esta é assim pró parva e egoísta…

Fico curiosa para saber, Tiago:
O que é para ti um bom concerto? Como ouvinte e como musico? É diferente, o bom?


Já agora….
Queria muito partilhar isto!
Obrigada, foi tocante, intenso, belo, forte, intenso, arrepiante. Tenho fome de mais.



P.S. sei que está assim fora de sitio.. mas... desculpa.
De Maria Armanda Moreira Ribeiro a 29 de Outubro de 2008 às 21:38
Ola Tiago Bettencourt e Mantha!
Passei por aqui porque queria dizer que fui ver o concerto que deram no teatro municipal da guarda e adorei foi simplesmente espetacular!
Adorava que voltassem la. Eu e os meus amigos la estaremos de novos adoramos todos os concerto alias ficamos fascinados!
Beijinho e muitas felicidades para a banda pois merecem o vosso talento é idiscultivel!
So mais uma coisa o som nao estava alto não vi qualquer porblema em estarem habituados aos estados..LOOOL
De Sandra A. a 31 de Outubro de 2008 às 19:56
eu sei q este nao é o local indicado..ms so queria confirmar o concerto d amnha em vila real. é q no myspace n esta nada marcado:S
alguem m sabe dzr?

De Cristina Oliveira a 3 de Novembro de 2008 às 20:14
Li o post "pequena partilha" e soa-me estranho... Depois associei que deixei aqui um comentário na semana passada, sobre o concerto que assisti na Guarda.. Deixei uma pergunta e sinto que esse post responde à pergunta, de certa forma...

A experiência de assitir ao vivo às músicas é, sob o meu ponto de vista... incrivel, e sei que cada um percepciona as coisas de forma.. muito diferente (da tua, da minha, do que estava atrás de mim). Logo parece-me um tanto ou quanto estranho dizeres que captas gente a mentir.. a realidade é que, cada um tem a sua. Não quis colocar uma etiqueta.. Apenas curiosidade, interesse em saber o outro lado.

Desculpa a minha exposição, que nunca teve a minima ideia de ser uma critica... Fi-lo porque este é o teu espaço, e pelo que li fiquei com a ideia que até gostas de ouvir o lado de cá, o das pessoas que ouvem...

Escrevi porque foi, provavelmente um dos momentos mais intensos que vivi com música. Cometi o erro de tentar pôr em comum (partilhar) o que senti utilizando as palavras. Com o teu post fiquei com a sensação de que não o devia ter feito. Cada um naquela sala teve, com certeza uma experiência diferente. E na realidade o que isto tem que ver com música???... e pode ter ainda menos a ver com o dito post.

Bem, mas essa experiência, continua, o concerto acaba, mas as músicas continuam em mim. E isso sim importa.

De Anónimo a 26 de Outubro de 2014 às 16:49
Havia outro texto para outro dia. Hoje o dia acordou inteiro e eu acordei com ele. O sol estava radiante, todos voavam foi das manhãs mais bonitas que eu vi. Foi o primeiro dia de Domingo que gostei. Hoje durante a tarde percebi que começou outra vida que eu não conheço. Se conhecesse sabia usar as armas que descobri e saberia ter o bom senso de não escrever este texto :) Daqui para a frente vai ser tudo diferente. A esperança é outra, e os sonhos modificaram-se, a paisagem; também; vai ser outra.... Há estrelas que ficam, mas eu não as vou ver. Foi hoje que tudo aconteceu.

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